Início

O azulejo é um dos materiais decorativos mais importantes na animação dos espaços históricos portugueses quer com características civis quer religiosos .

A azulejaria de padrão adquire, neste contexto, um particular destaque por permitir, com um escasso número de peças (padrão), o revestimento de um espaço potencialmente ilimitado. O azulejo seriado, em Portugal, foi usado desde o século XV inicialmente com recurso a peças produzidas em Espanha com peças de corda-seca e de aresta e teve um uso intenso no século seguinte. São exemplos os revestimentos cerâmicos noPalácio da Vila em Sintra e a Sé Velha de Coimbra.

 

 

Mas será na transição do XVI para o XVII e neste último século que a padronagem cerâmica ganha autonomia formal. Os exemplos são múltiplos, os padrões variados e ricos. A partir da segunda metade do XVII, no interior dos panos são inseridos quadros com a representação de santos, constituindo um prenúncio da considerada época áurea – a azulejaria historiada – com grandes pintores a caracterizar muitos espaços religiosos e alguns nobiliárquicos. Cromaticamente a paleta de cores perde a variedade (usando a gama de azuis, verdes, amarelos e ocres, violáceo e, por vezes, o negro) passando para o monocromismo na gama dos azuis de cobalto por influência cromática da porcelana chinesa. O século XVIII, após o período dos Grandes Mestres, é ainda marcado pela Grande Produção e decorrente do terramoto de 1755 pelo denominado produção pombalina. É o retorno ao azulejo de padrão, a primeira fase da seriação produtiva numa economia de escala. O primeiro terço do século XIX foi marcado por fortes conturbações político-sociais com evidentes repercussões económicas – invasões francesas, fuga da corte para o Brasil, acordos internacionais com Inglaterra e independência do Brasil. Terá sido neste período que o azulejo saiu à rua, seja por evolução natural da tradição lusa seja por influência “brasileira”. Muitos edifícios civis, no decurso do XIX e até ao início do século seguinte, serão forrados com peças de padrão. Esta tipologia marcará as cidades portuguesas e a tradição ainda não se perdeu.

No século XX ocorre o ressurgimento do azulejo historicista, como é exemplo dos paineis de Jorge Colaço para a estação ferroviária de São Bento.

Com base neste breve enquadramento histórico é relevante olhar para este ramo da azulejaria, não como uma manifestação menor mas como uma tendência pertinente da arte portuguesa. É uma arte anónima e oficinal que não tem paralelismo no espaço mundial.

Anúncios