Técnica – aplicação de cerâmicos a suportes

Até ao primeiro quartel do século XX o azulejo foi aplicado em suportes tradicionais principalmente alvenarias sejam de calcário, granito ou xisto e mais raramente em suportes taipa ou paredes de madeira. As construções tradicionais caraterizam-se pelo uso dos materiais presentes em cada região, com exceção dos materiais imprescindíveis para a composição das argamassas quando inexistentes localmente. Somente as construções excecionais (públicas e privadas) poderiam empregar materiais de outras procedências.

A tecnologia que usa o cimento encerrará o ciclo das técnicas tradicionais de construção em pedra, primeiro com introduções pontuais a partir do último quartel do século XIX e mais intensamente a partir de 1920. Este material foi não só usado para a aplicação de novas peças como para a reparação de painéis antigos.

O sistema no qual o azulejo é aplicado, é normalmente composto basicamente pela estrutura (parede) e a argamassa de assentamento; opcionalmente poderá estar presente uma camada de emboço quando há a necessidade de regularizar a parede e, no século XIX, um filme hidrófobo derivado da destilação da hulha.

No caso das paredes de alvenaria, recorrendo a rochas autóctones, são usadas pedras simplificadamente esquadriadas, frequentemente com argamassas entre elementos. As juntas entre os elementos líticos são tomadas com argamassa, é frequente o emprego de uma camada de emboço de forma a regularizar a superfície ou quando a espessura a preencher é superior a 20-30 mm, de forma a minorar a fissuração. Especificamente no caso de estruturas de madeira, as argamassas têm uma fixação mecânica ao ripado, de secção troncocónica, que é aplicado ao tabuado. Na cidade do Porto foi observado a inexistência deste ripado sendo que o tabuado foi protegido por um filme hidrófobo que apresenta textura de forma a permitir a ancoragem das argamassas.

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